riscos contrato de aluguel

Os 7 riscos mais comuns em contratos de aluguel (e como evitar)

personEquipe Firmou
·
calendar_today29 de abril de 2026
·
schedule7 min de leitura

Você achou o apartamento, combinou o preço e o proprietário mandou o contrato. Tudo parece ok — até você descobrir, 6 meses depois, que tem uma cláusula te obrigando a pintar o imóvel inteiro na saída, mesmo que as paredes estejam perfeitas.

Contratos de aluguel no Brasil seguem a Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91), mas isso não impede que muitos venham com cláusulas problemáticas, informações faltando ou condições que só beneficiam o proprietário. O pior: a maioria dos inquilinos só descobre o problema quando já é tarde.

Aqui estão os 7 riscos mais comuns que encontramos analisando centenas de contratos de aluguel — e como se proteger de cada um.

1. Ausência de vistoria documentada

Esse é o campeão de problemas. O contrato menciona "vistoria de entrada" mas ninguém faz de verdade. Ou faz, mas sem fotos, sem assinatura das duas partes, sem detalhamento.

Na saída, o proprietário olha uma mancha na parede e desconta da caução. Você jura que a mancha já estava lá. Sem vistoria documentada, é a sua palavra contra a dele.

Como evitar: Exija um laudo de vistoria com fotos de todos os cômodos, assinado por ambas as partes. Faça isso ANTES de receber as chaves. Guarde uma cópia. Na saída, repita o processo pra comparar.

2. Multa de rescisão desproporcional

Contratos com multa fixa de 3 meses de aluguel pra qualquer rescisão antecipada, independente de quando você sai. Isso é mais comum do que deveria — e pode ser ilegal.

A Lei do Inquilinato diz que a multa deve ser proporcional ao período restante. Se você tem contrato de 12 meses e sai no 9º, a multa deveria ser proporcional a 3 meses, não o valor cheio.

Como evitar: Procure no contrato a palavra "proporcional". Se a multa é fixa e alta, negocie antes de assinar. A lei está do seu lado.

3. Índice de reajuste desfavorável

IGP-M foi o índice padrão por décadas. Mas em 2021 ele chegou a 37% — imagina seu aluguel subindo mais de um terço de uma vez. Muitos contratos antigos ainda usam IGP-M por inércia.

O IPCA tem sido mais estável (em torno de 4-6% ao ano) e é o mais usado atualmente. A diferença pode significar centenas de reais por mês.

Como evitar: Negocie IPCA como índice de reajuste. Se o contrato já diz IGP-M, peça pra trocar antes de assinar. A maioria dos proprietários aceita — eles também preferem previsibilidade.

4. Responsabilidades de manutenção vagas

"O locatário é responsável pela conservação do imóvel." Tá, mas o que isso significa na prática? Se o encanamento estoura por desgaste natural, quem paga? E se o portão eletrônico para de funcionar?

A regra geral: reparos estruturais e desgaste natural são do proprietário. Manutenção do dia a dia (trocar lâmpada, desentupir pia) é do inquilino. Mas se o contrato não detalha, vira discussão.

Como evitar: O contrato deve separar claramente "reparos estruturais" (proprietário) de "manutenção ordinária" (inquilino). Quanto mais específico, melhor.

5. Falta de cláusula sobre benfeitorias

Você instala um ar-condicionado, troca o piso do banheiro, coloca armários planejados. Na saída, o proprietário diz que fica tudo — e não te paga nada. Ou pior: pede pra você remover tudo e deixar como estava.

Sem cláusula de benfeitorias, a lei distingue entre "necessárias" (sempre indenizáveis), "úteis" (indenizáveis se autorizadas) e "voluptuárias" (não indenizáveis). Mas provar o que é o quê vira uma dor de cabeça.

Como evitar: Inclua no contrato uma cláusula dizendo o que acontece com melhorias feitas pelo inquilino. Se vai instalar algo caro, peça autorização por escrito e combine se será indenizado ou não.

6. Garantia locatícia irregular

Caução de 4 meses de aluguel? Ilegal — o máximo é 3 (art. 38 da Lei do Inquilinato). Exigir caução E fiador ao mesmo tempo? Também ilegal. Pedir depósito em conta pessoal do proprietário? Irregular — deveria ser em caderneta de poupança.

Muitos contratos pedem garantias acima do permitido por lei. O inquilino, com pressa de fechar o negócio, aceita sem questionar.

Como evitar: Conheça os limites legais. Caução: máximo 3 meses, depositada em poupança. Só pode exigir uma modalidade de garantia (caução OU fiador OU seguro-fiança). Se pedirem mais, é abusivo.

7. Ausência de seguro contra incêndio

Ninguém gosta de pensar nisso, mas incêndios acontecem. Se o imóvel pega fogo e não tem seguro, quem arca com o prejuízo? O contrato deveria prever isso — e na maioria dos casos, não prevê.

O seguro contra incêndio é barato (R$200-400/ano pra apartamento) e protege o patrimônio de ambas as partes. Geralmente é responsabilidade do inquilino, mas precisa estar no contrato.

Como evitar: Inclua uma cláusula obrigando a contratação de seguro contra incêndio. Defina quem paga (geralmente o inquilino) e exija apresentação da apólice anualmente.

Como verificar seu contrato rapidamente

Revisar tudo isso manualmente leva tempo. Se você quer uma análise rápida, o Firmou tem um analisador de contratos gratuito: faz upload do PDF e em 30 segundos recebe um score de segurança com os riscos identificados.

Não substitui a leitura completa, mas te mostra exatamente onde prestar atenção. É como um raio-X do contrato — você vê os problemas antes de assinar.

Tem um contrato de aluguel pra revisar? Analise os riscos grátis no Firmou.

Gerar agora — é grátis
⚖️

Este conteúdo foi produzido pela equipe do Firmou com base na legislação brasileira vigente. Não substitui orientação jurídica profissional. Para situações complexas, consulte um advogado.

Perguntas frequentes

Contrato de aluguel sem vistoria tem validade?

Tem validade, mas é arriscado pra ambas as partes. Sem vistoria documentada, fica impossível provar o estado do imóvel na entrada. Na saída, o proprietário pode cobrar por danos que já existiam. Sempre faça vistoria com fotos e assinatura de ambos.

O proprietário pode cobrar multa de 3 meses por rescisão antecipada?

A Lei do Inquilinato (art. 4º) prevê multa proporcional ao período restante. Se o contrato é de 12 meses e você sai no 6º mês, a multa deve ser proporcional aos 6 meses restantes, não o valor cheio de 3 meses. Multas fixas e desproporcionais podem ser contestadas.

Quem paga o IPTU no aluguel?

Por padrão, o IPTU é responsabilidade do proprietário. Mas a Lei do Inquilinato permite transferir pro inquilino se estiver previsto no contrato. O importante é que esteja escrito — se o contrato não menciona, o proprietário paga.

Artigos relacionados

Pronto para fechar seu próximo negócio com segurança?

Sem cadastro complicado. Seu documento fica pronto em minutos.